Emissor térmico: é mesmo de baixo consumo?
Um emissor térmico não gasta menos energia por kWh de calor do que um convector ou um radiador a óleo: transforma 1 kWh de eletricidade em 1 kWh de calor, e um de 1500 W custa no máximo 0,32 € por hora. O que pode baixar a conta são os comandos que traz, como o termóstato eletrónico, a programação semanal e a deteção de janela aberta, que evitam aquecer mais ou durante mais tempo do que o necessário.
Como funciona um emissor térmico
- É um aparelho fixo na parede, normalmente com corpo de alumínio e uma resistência elétrica no interior.
- Pode ter fluido térmico ou ser de "inércia seca", com um núcleo cerâmico, de pedra ou de alumínio que guarda calor.
- Aquece por convecção, o ar que passa por ele, e por radiação, a partir da superfície quente. O calor é mais uniforme do que o de um convector.
- Traz termóstato eletrónico e programação. Muitos permitem comando por aplicação ou programação central por fio piloto.
- Liga-se a uma tomada ou diretamente à instalação. As ligações fixas devem ser feitas por um eletricista certificado.
"Baixo consumo": o que é verdade e o que é marketing
O núcleo de fluido, cerâmica ou alumínio não cria calor. Só o guarda e o espalha. Por kWh, um emissor térmico aquece exatamente o mesmo que qualquer outro aquecedor elétrico.
A poupança, quando existe, vem do controlo:
- um termóstato eletrónico mantém a temperatura mais perto da que escolheu do que um termóstato mecânico;
- a programação aquece só nas horas em que está em casa;
- a deteção de janela aberta para de aquecer quando areja a divisão;
- o arranque adaptativo liga o aparelho só com a antecedência necessária para ter a temperatura à hora marcada.
Quanto poupa depende dos seus hábitos. Se já desliga os aquecedores quando sai, ganha menos. Por isso não damos uma percentagem. Às vezes "baixo consumo" quer só dizer pouca potência: gasta menos por hora porque aquece menos.
O que a lei europeia exige aos aquecedores fixos
O Regulamento (UE) 2015/1188 exige, desde 1 de janeiro de 2018, uma eficiência sazonal mínima de 38% aos aquecedores elétricos fixos com mais de 250 W e de 36% aos portáteis.
Não quer dizer que o aparelho perca calor. A conta do anexo III parte de 100% de eficiência térmica, converte a eletricidade em energia primária e retira 10 pontos. Depois só os comandos somam pontos. Para um aparelho fixo, o termóstato eletrónico com programação semanal vale 7 pontos, e a deteção de janela aberta, o comando à distância e o arranque adaptativo valem 1 ponto cada. O consumo em espera ainda desconta.
Pelas nossas contas, isto quer dizer que um aquecedor elétrico de parede vendido na UE precisa, na prática, de termóstato eletrónico com programação semanal e de pelo menos uma destas funções extra. Ou seja: muito do que se anuncia como "baixo consumo" é o mínimo legal desde 2018.
O fabricante tem também de publicar uma ficha com a potência calorífica nominal, mínima e máxima, o consumo auxiliar e o tipo de comando de temperatura.
Emissor térmico ou convector?
Com a mesma potência, gastam o mesmo por kWh de calor.
- Convector: costuma ser mais barato, é leve, pode ser portátil ou de parede e aquece o ar mais depressa. Um convector feito para montar na parede conta, em regra, como aparelho fixo e segue as mesmas regras de programação.
- Emissor térmico: calor mais suave e uniforme, alguma inércia, programação incluída.
Para uma divisão usada todos os dias a horas certas, o emissor programado é mais cómodo. Para uso ocasional, um convector chega.
Emissor térmico ou ar condicionado?
O ar condicionado dá 3 a 5 kWh de calor por kWh e compensa numa divisão aquecida várias horas por dia. Veja aquecer com ar condicionado.
O emissor faz sentido quando não pode ter unidade exterior, por exemplo por regras do condomínio, ou quando a divisão é pouco usada. Tem a comparação completa em aquecedor ou ar condicionado.
Quanto gasta
No máximo, 1000 W custam 0,21 € por hora e 1500 W custam 0,32 €. Um de 1500 W ligado 6 horas por dia chega a 57 € por mês, menos com o termóstato a desligá-lo. Faça a conta em quanto gasta um aquecedor.
Perguntas frequentes
O emissor térmico é de baixo consumo?
Não dá mais calor por kWh do que outro aquecedor elétrico. Pode gastar menos porque o termóstato eletrónico e a programação evitam aquecer em excesso ou com a casa vazia.
Como funciona um emissor térmico?
Uma resistência aquece um núcleo de fluido térmico, cerâmica ou alumínio, que passa o calor à divisão pelo ar e por radiação. Um termóstato eletrónico liga e desliga a resistência conforme a temperatura e a programação.
O emissor térmico cerâmico gasta menos?
Não. O núcleo cerâmico guarda calor e dá-lhe mais inércia, mas não cria calor. Com a mesma potência, gasta o mesmo que um emissor de fluido ou um convector.
Emissor térmico ou convector?
Gastam o mesmo por kWh de calor. O emissor dá um calor mais uniforme e traz programação; o convector costuma ser mais barato e aquece mais depressa. Para uso diário a horas certas, o emissor é mais cómodo.
Emissor térmico ou ar condicionado: qual gasta menos?
O ar condicionado: para o mesmo calor, gasta 3 a 5 vezes menos eletricidade. O emissor só compensa em divisões pouco usadas ou onde não pode instalar unidade exterior.